Elba Ramalho Leva Música De Gonzagão A Novo Patamar. Junto A Orquestra, Cantora é Emoldurada Por Seus Herdeiros Na MPB

Publicado: 23/04/2017

RIO - Elba Ramalho começa o show andando por entre as mesas do Classic Hall, em Recife, entoando os versos de “Pau de arara”, de Luiz Gonzaga e Guio de Moraes: “Só trazia a coragem e a cara/ Vindo num pau de arara/ Eu penei, mas aqui cheguei”. Parece um concerto modesto (impressão reforçada por uma senhorinha que tecla ao celular enquanto a paraibana passa, com seu figurino multicolorido), mas não é nada disso: a embaixadora da música nordestina, com patrocínios da Natura Musical, do governo federal e outros, é a estrela de uma obra grandiosa.

Com o grupo instrumental SaGrama, o quarteto de cordas Encore e um repertório de clássicos de Gonzagão e de seus descendentes musicais, Elba, aos 63 anos (a gravação é de setembro de 2014), mostra todos os lados de sua competência artística. Ao lado de parceiros como Margot Rodrigues, que assina o projeto, e André Brasileiro, diretor do show, a cantora é a responsável pelo roteiro, em parceria com os dois e mais Alexandre Valentim.

E, apesar da grandeza de tudo o que envolve este “Cordas, Gonzaga e afins” — o Nordeste nunca foi mesmo chegado a sutilezas —, o roteiro é a estrela maior do espetáculo, amarrando, sem sobras, a árvore genealógica de Luiz Gonzaga, que vai da “Súplica cearense” (Gordurinha e Nelinho) ao “Assum branco” de José Miguel Wisnik; da “Violeira” de Tom & Chico aos filhos e sobrinhos mais próximos, como Alceu Valença e Dominguinhos, em uma viagem sem solavancos em lombo de jegue.

Embrulhada com luxo pela voz e pela teatralidade de Elba, com bom gosto (mas sem esconder o sotaque) e maestria dos músicos — Naná Vasconcelos, Marcelo Jeneci e Marcelo Caldi são mais algumas das feras envolvidas —, uma sinfonia para apresentar o Nordeste ao mundo, caso este, atrasadinho, ainda não o conheça.