Encanto

1992

Encanto
    • Caminhoneiro Solitário vinheta: (Mazzola) / (Moraes Moreira) Letra



      Caminhoneiro Solitário(vinheta)

      (Mazzola)


      Sons, efeitos e montagem: Geraldo, Claudinho, Marquinho e Marcelo Saboia

       

      São João na Estrada

      (Moraes Moreira)


      No mês de junho

      Tenho Deus por testemunho

      Com meu violão em punho

      Vou fazer o São João

      Tomar licor, menino, fazer eu vou

      A festa do interior

      E também da capital

       

      Vou pra Natal e lá no circo da folia

      Vai amanhecer o dia

      E todo mundo no forró

      Lá em Timbau no forró do seu Patrício

      Vai ter fogos de artifícios

      Também lá em Mossoró

       

      Em João Pessoa

      Soa bem esse galope

      E tem quem dance e tem quem toque

      E com que animação

      Santa Luzia, guia meus passos, me mande

      Além de Campina Grande a Sousa e toda a região

       

      Em Fortaleza com certeza um ouriço

      Juazeiro, Padim Ciço também vai dançar baião

      Em Maceió quero ver balão no céu

      Arapiraca e São Miguel

      Dando viva a São João

       

      Não pode parar o sanfoneiro

      Não pode parar o coração

      Só pode parar a guerra

      Eu quero paz na terra

      E no céu balão

       

      Em Teresina, como se faz todo ano

      Parnaíba e Floriano também vão comemorar

      Vou caminhando, vou chegando até Recife

      Meu amor quem foi que disse

      Que não tem Caruaru?

       

      Aracaju tem caju e tem castanha

      Gente aprende, gente apanha

      Nessa vida de estradeiro

      Em Salvador

      Vou chegar lá na Bahia

      Lá na terra da alegria

      Vai ser festa o ano inteiro


      Ficha Técnica:

      Arranjo de base: Julinho Teixeira e Mazzola

      Arranjo de metais: Julinho Teixeira

      Caixa e c/tempo: Elber Bedaque

      Contrabaixo: Jamil Joanes

      Guitarra: Robertinho de Recife

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Sax: Marcelo Neves e Marcelo Martins

      Trompetes: Bidinho, Formiga, Hamilton e Paulo Martins

      Trombone: Roberto Marques

      Programação de bateria: Renato Ladeira

      Teclados: Julinho Teixeira

      Percussão: Repolho

      Efeitos: Foguete

      Vocais: Betina e Jussara


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo de base: Julinho Teixeira e Mazzola

      Arranjo de metais: Julinho Teixeira

      Caixa e c/tempo: Elber Bedaque

      Contrabaixo: Jamil Joanes

      Guitarra: Robertinho de Recife

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Sax: Marcelo Neves e Marcelo Martins

      Trompetes: Bidinho, Formiga, Hamilton e Paulo Martins

      Trombone: Roberto Marques

      Programação de bateria: Renato Ladeira

      Teclados: Julinho Teixeira

      Percussão: Repolho

      Efeitos: Foguete

      Vocais: Betina e Jussara

    • Flora (Ednardo / Dominguinhos / Climério) Letra


      Se eu pudesse pensar em ti

      Sem vontade de querer chorar

      Sem pensar em querer morrer

      Nem pensar em querer voltar

       

      Essa dor que eu sinto agora

      É uma dor que não tem nome

      Que o meu peito devora

      E come e fere e maltrata

      Sem matar

       

      No roçado do meu coração

      Há um tempo de plantar saudade

      Há um tempo de colher lembrança

      Pra depois com o tempo chorar

       

      Oh, Flora meu sertão florindo

      Aflora meu peito só

      Teu amor é um fogo

      É um fogo, é um fogo, é um fogo

      Dos teus olhos tição

      Teu amor é um fogo

      É um fogo, é um fogo, é um fogo

      Dos teus olhos tição


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e teclados: Fernando Moura

      Concepção do arranjo: Mazzola

      Bateria: Jorginho Gomes

      Contrabaixo: Jamil Joanes

      Guitarra: Robertinho de Recife

      Violão: Manassés

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

    • Alegria Real (Saul Barbosa / Jaime Sodré) Letra


      A fé que atravessou o oceano

      Tem a força de uma figa de guiné

      A juventude é a esperança desse povo

      Não precisa acreditar em São Tomé

       

      Ô, ô, ô

      Ô, ô, ô

      Ô, ô, ô, ô

      O dia da igualdade já chegou

       

      Mistura no preto e no branco

      Suor e calor

      Na alegria da democracia real

      E um canto penetra num fruto

      Chamado emoção

      Da semente plantada

      Da libertação

       

      Só por amor, ô, ô

      Só por amor, ô, ô

      Só por amor, ô, ô

      Só por amor

       

      Circula no corpo da alma um novo clamor

      No meu peito dourado seu sol vai se por

      E as bandeiras forradas de verde da nossa união

      Na folia, na festa da libertação


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e violão: Saul Barbosa

      Guitarra: Luiz Brasil

      Teclados: Marcos Farias

      Baixo: Jamil Joanes

      Repenique: Repolho e Marcos Lobo

      Surdo: Ary Dias

      Vocais: Jussara, Betina, Nair Cândia, Jurema de Cândia, Marcio Lott, Zeppa Souza, Lourenço e Pedrinho Lopes

    • Que nem Vem-Vem (Maciel Melo) Letra


      Quebrei no dente o taco da literatura

      Tô na história, tô eu sei

      Que sou motivo pra falar

      Entrei de cara

      Cara, tô caindo fora

      Tá no tempo

      Já é hora de poder me desfrutar

       

      Semente negra, eu sou raiz poderosa

      Aguada em verso e prosa

      Na cacimba de Belá

      Meu canto tem um chapo-chapo de uma cuia

      Tem, tem

      Tem as manhas que o Mestre Louro plantou

       

      Pra colher eu canto assim que nem vem-vem

      Pra soar como um acorde de sanfona

      Festejar que nem passarim no xerém

      Namorar com as batidas da zabumba

       

      Tum, tum, tum

      Bate, bate meu coração

      Por um forró que nem o de Passagem Funda

      Tum, tum, tum

      Bate, bate meu coração

      Dá-lhe zabumba, Jackson no pandeiro é ás

      Tum, tum, tum

      Bate, bate meu coração

      Se esse moreno não me quer

      Não quero mais


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, programação de computador e teclados: Marcos Farias

      Baixo: Jamil Joanes

      Guitarra: Manassés

      Bateria: Elber Bedaque

      Teclados: Fernando Moura

      Triângulo, block, pandeiro, timbales e zabumba: Repolho

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom e Marcos Farias

      Vocais: Jussara e Elba

    • Dúvida (Luiz Gonzaga / Domingos Ramos) “Pro meu pai, seu João Nunes” Letra


      Não sei por que razão tu tens ciúmes

      Não sei por que razão não crês em mim

      Bem sabes que te quero

      E o meu amor é tão sincero

      É demais duvidar tanto assim, ai de mim

      Não sei por que razão tu tens ciúmes

      Não sei por que razão não crês em mim

       

      Bem vês que vivo escravizado

      E preso ao teu encanto

      Não deves duvidar assim de quem te adora tanto

      Não deves duvidar de mim

      Por que não tens razão

      E assim torturas sem querer meu coração


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjos: Robertinho de Recife e Manassés

      Teclados e detalhes: Marcos Farias

      Baixo: Jamil Joanes

      Bateria: Elber Bedaque

      Violão de base e viola: Robertinho de Recife

      Viola 12 cordas e guitarra portuguesa (solo): Manassés

      Clave, afoxé e guiro: Repolho

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

    • Caminhos do Coração (Gonzaguinha) Letra


      Há muito tempo que eu saí de casa

      Há muito tempo que eu caí na estrada

      Há muito tempo que eu estou na vida

      Foi assim que eu quis

      Assim eu sou feliz

       

      Principalmente por poder voltar

      A todos os lugares onde já cheguei

      Pois lá deixei um prato de comida

      Um abraço amigo

      Um canto pra dormir e sonhar

       

      E aprendi que se depende sempre

      De tanta, muita, diferente gente

      Toda pessoa sempre é as marcas

      Das lições diárias

      De outras tantas pessoas

       

      E é tão bonito quando a gente entende

      Que a gente é tanta gente

      Onde quer que a gente vá

      E é tão bonito quando a gente sente

      Que nunca está sozinho

      Por mais que tente estar

       

      É tão bonito quando a gente pisa firme

      Nessas linhas que estão

      Na palma de nossas mãos

      E é tão bonito quando a gente vai à vida

      Nos caminhos onde bate

      Bem mais forte o coração


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, viola, guitarra solo e detalhe: Robertinho de Recife

      Teclados: Marcos Farias

      Baixo: Jamil Joanes

      Viola 12 cordas: Manassés

      Bateria: Elber Bedaque

      Triângulo, talkdrums, pandeiro, efeitos e bells: Repolho

    • Miragem do Porto (Lenine / Bráulio Tavares) Letra


      Eu sou aquele navio no mar

      Sem rumo e sem dono

      Tenho a miragem do porto

      Pra reconfortar meu sono

      E flutuar sobre as águas

      Na maré do abandono

       

      E lá no mar

      Eu vi uma maravilha

      Vi o rosto de uma ilha

      Numa noite de luar

      Êta luar, lumiô o meu navio

      Quem vai lá no mar bravio

      Não sabe o que vai achar

       

      E sou a ilha deserta onde ninguém quer chegar

      Lendo a rota das estrelas na imensidão do mar

      Chorando por um navio

      Ai, ai, ui, ui

      Que passou sem lhe avistar


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, programação de computador e teclados: Luiz Avellar

      Viola: Manassés

      Vocais: Robson, Léo e Chico Puppo

    • Cidadão (Moraes Moreira / Capinan) Participação Especial: Margareth Menezes Letra


      Na mão do poeta

      O sol se levanta e a lua se deita

      Na côncava praça

      Aponta o poente, o apronte, o levante

      Crescente da massa

       

      Aos pés do poeta

      A raça descansa de olho na festa

      E o céu abençoa essa fé tão profana

      Ó minha gente baiana

      Goza mesmo que doa

       

      Abolição

      No coração do poeta

      Cabe a multidão

      Quem sabe essa praça repleta

      Navio negreiro já era

      Agora quem manda é a galera

      Nessa cidade nação

      Cidadão

      Navio negreiro já era

      Agora quem manda é a galera

      Nessa cidade nação

       

      Abolição

      No carnaval do poeta

      Cabe a multidão

      Quem sabe essa praça repleta

      Navio negreiro já era

      Agora quem manda é a galera

      Nessa cidade nação

      Cidadão

      Navio negreiro já era

      Agora quem manda é a galera

      Nessa cidade nação


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo: Mazzola, Ricardo Leão e Moraes Moreira

      Bateria: Jorginho Gomes

      Contrabaixo: Jamil Joanes

      Guitarra: Davi Moraes

      Percussão: Mingo, Cidinho e Repolho

      Surdo: Gordinho

      Teclados: Ricardo Leão

      Vocais: Jurema Cândia, Jussara, Nair Candia, Betina, Zeppa Souza, Chico Puppo, Lourenço e Marcio Lott

      Povo: Elba, Pimpa, Mazzola e Fatinha

    • Na Hora “H” (Oswaldinho / Eliezer Setton) Letra


      Oi, tunda tata tum

      Vareta no zabumba

      Oi, tunda tá, tudo é suor

      Oi , ting ling dim, triângulo

      Xenhennhém sanfona

      Isso é forró

       

      Volta e meia alguém dizia

      Que o forró perdia de vez seu lugar

      Tinha até quem apostasse

      Que o substituto chegou pra ficar

       

      Eu que conheço seu moço

      O sertão e a pisada lá do Bodocó

      Sei de monte de gente que nem eu

      Que gosta é de forró

       

      Não sei qual vai ser a moda

      Que vai segurar na cadeira o forró

      Pois passa o tempo e o que brilha em meus olho

      É o que brilha nos ói da vovó

       

      Foi discoteque e twist

      É o rock e a lambada

      Mas na hora “H”

      O coração do meu povo

      Se avexa a bater pra forrozar


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, programação de computador e teclados: Marcos Farias

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Pandeiro: Zé Leal

      Triângulo sample: Marinês

    • Noites Olindenses (Carlos Fernando) Letra


      Quero dançar com você

      Nas noites olindenses

      Ai Lili, ai Lili, ai Lô

      Quero te ver como a lua

      Bonita e transparente

      Fluindo vertentes de amor, de amor

       

      Nesse verão tu és a luz que ilumina

      Meu coração de carnaval e purpurina

      Todas as rimas de Olinda menina

      Estrela matutina de toda a canção

       

      Canção que vem e vai brilhar

      Em um domingo azul do mar

      De Olinda, de Olinda

      De Olinda, que linda Olinda

      De Olinda, de Olinda

      De Olinda, que linda Olinda


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, programação de computador e teclados: Luiz Avellar

      Vocais: Jussara, Betina, Nair Candia, Jurema Cândia, Ana Lucia e Kika Tristão

    • Amor de índio (Beto Guedes / Ronaldo Bastos) Letra


      Tudo que move é sagrado

      E remove as montanhas

      Com todo o cuidado, meu amor

      Enquanto a chama arder

      Todo dia te ver passar

      Tudo, viver a teu lado

      Com o arco da promessa

      No azul pintado pra durar

       

      Abelha fazendo mel

      Vale o tempo que não voou

      A estrela caiu do céu

      O pedido que se pensou

      O destino que se cumpriu

      De sentir teu calor

      E ser todo

      Todo dia é de viver

      Para ser o que for

      E ser tudo

       

      Sim, todo amor é sagrado

      E o fruto do trabalho

      É mais que sagrado, meu amor

      A massa que faz o pão

      Vale a luz do teu suor

      Lembra que o sono é sagrado

      E alimenta de horizontes

      O tempo acordado de viver

       

      No inverno te proteger

      No verão sair pra pescar

      No outono te conhecer

      Primavera poder gostar

      No estio me derreter

      Pra na chuva dançar

      E andar junto

      O destino que se cumpriu

      De sentir teu calor

      E ser todo


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e violas: Manassés

    • Encanto (Ligia Anel / Xico Chaves / Jards Macalé / Christianne Dardenne) Letra


      Nos galhos do arvoredo

      Ouvi alguém me encantar

      Só com o seu canto

      Fui levada para lá

       

      Simples de dizer

      Fácil de entender

      Alguém que vem de longe

      Pra pertinho de você


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e violão: Jards Macalé

    • Eu Vou Te Amar (Geraldo Azevedo / Pipo Spera) Letra


      Teu beijo me acordou novo dia

      Sinal que é vida, luz da manhã

      Que faz renascer a alegria

      No azul do céu, na terra, no mar

       

      Mas sem você não existia

      Essa magia que torna real

      As coisas simples do dia a dia

      Tuas e minhas que a vida traz

      Eu vou te amar

      Com toda minha energia

      Bem que irradia

      Eu vou te amar

       

      Eu vou te amar

      Eu vou te amar


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e piano: Marcos Farias

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Sempre que um trabalho termina, fica no ar uma sensação de incerteza, de impessoalidade. Por mais satisfatório que seja o resultado final dele, sempre falta alguma coisa. Essa é a questão. A vontade de produzir meu próprio disco já vem de um tempo, assumir por inteiro a responsabilidade de acertos e erros é um aprendizado que, com certeza, faz crescer.

Encanto é assim, o meu disco, a minha voz, o repertório que eu escolhi. É o primeiro disco que produzo e, assim, sem tantas influências externas, sou eu mais eu. Mas não estive só.

O resultado é o que está para se ouvir nas 13 faixas gravadas nesse Encanto. Grande parte do repertório é de compositores nordestinos, o que encaixa perfeitamente com o ritmo, que eu defini como balançado e balanceado – uma fusão do primitivo e do tecnológico. Extremamente harmonioso.

Harmonia. Músicas inéditas se juntam a antigas canções. Dúvida, uma valsa de Gonzagão, composta em 1946, na concepção de Robertinho de Recife e Manassés, pode ser ouvida como uma guarânia ou até como um fado. O mesmo Robertinho assume o arranjo que redescobre Caminhos do coração, música do amigo Gonzaguinha, que me foi sugerida por Nelson Motta.

E por falar nessa harmonia, torna-se obrigatória a menção de meus colaboradores. Mazzola tem presença mágica nas faixas Cidadão, São João na estrada e Flora. Marcos Farias – o Marquinhos, filho do sanfoneiro Abdias e da cantora Marinês, que me acompanha em shows há anos – assina comigo a produção e os arranjos de Que nem vem vem e Eu vou te amar.

Ao lembrar de minha banda, credito méritos aos meus músicos que contribuíram sensivelmente no desenvolvimento do trabalho em estúdio. As ideias foram tantas que o repertório foi definido no decorrer das gravações.

Desse modo, nota-se claramente a batuta de Mazzola regendo as faixas São João na estrada e Cidadão, de Moraes Moreira. Já Flora é um revival de uma canção de Ednardo, Dominguinhos e Climério, e ficou a cargo de Fernando Moura, que justificou tudo o que se diz a respeito das maravilhas da tecnologia moderna. Vejo estas faixas sob uma ótica futurista, e as ouço como renovadoras.

É isso mesmo? Deve ser. Estou feliz em trabalhar com tanta gente boa.

Cidadão ainda conta com a presença brilhante e sempre poderosa de Margareth Menezes. São João na estrada, já está dito, é uma homenagem declarada ao nordestino, a essa fonte inesgotável de energia e inspiração. Assim como todo o disco, penso eu.

No mais, Bráulio Tavares e Lenine – os parceiros das delícias – criaram Miragem do porto, música que o maestro Luiz Avelar tratou de “magnetizar” e transformar num mantra. Luizinho também arranjou Noites olindenses, um frevo doce e melodioso composto por Carlos Fernando, já gravado uma vez por Caetano Veloso.

Da Bahia, feito especiaria, vem o que acho mais interessante, o “samba-pop-reggae” Alegria real. Diferente e cheio de sabor, ele é o ritmo preto-no-branco. Uma fusion que Saul Barbosa (arranjo e violão) compôs com o historiador e poeta Jayme Sodré.

Trazendo sanfona, música e arranjos prontos, Oswaldinho chegou Na hora H, com um forró-coco que lembra Jackson do Pandeiro. E forró é Nordeste, e é de lá, ou melhor ainda, da Paraíba, que vem Maciel Melo, compositor do xote-reggae Que nem vem vem.

Geraldo Azevedo e Pippo Spera também são “do norte”, mas foram os últimos a chegar, trazendo Eu vou te amar. Talvez pela pressa, o que devia ser o mais difícil se tornou o mais fácil de cantar. Foi só piano e voz, quase que saiu de primeira. Tudo muito rápido e franco, como minha amizade com Geraldinho. Eu vou te amar está só no CD.

Amor de índio (Beto Guedes) é profunda, uma música que diz o que eu gostaria de dizer todos os dias. É de uma intensidade tão grande que pode ser chamada de esotérica, vanguardista, espiritual até. Diante de tantos elementos, o arranjo tinha que ser simples. A viola de Manassés bastou para conduzir o Amor de índio.

A presença de Macalé no disco não poderia ser convencional, Encanto, se apresenta sob forma de vinheta. É a música de varanda que transcende aos padrões, que tem a pretensão de explicar o que é encanto. Encanto é coisa que delicia. E Encanto, quanto disco, foi trabalhoso e cativante. Cada um sabe dos encantos que possui. Esse é o meu.

 

Elba Ramalho

Maio/92

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