Paisagem

1995

Paisagem
    • Proibir pra Quê (Dalmo Medeiros / Carlos Pita) Letra


      Você me faz sentir o céu

      Me faz sentir o mel

      Que a vida tem pra dar

      Na rua da alegria eu vou

       

      Você me faz ser girassol

      Girando ao seu redor

      Dourando a luz do dia

      Planeta do amor eu sou

       

      E essa dor já não vai mais valer

      E esse meu amor vai sorrir

      Esse olhar é só felicidade

      Acorda, cidade, com vontade

      Que o carnaval chegou

       

      Ô, ô, ô, ô

      Vê se tô na esquina

      Você vem de Olinda

      Eu vou de Salvador

       

      Ô, ô, ô, ô

      Proibir pra quê?

      Ninguém mais segura

      O bloco do prazer


      FICHA TÉCNICA:

      Produção, arranjo e teclados: Julinho Teixeira

      Guitarra: Luiz Brasil

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Surdo, agogô, repique e timbales: Marquinho Lobo

      Congas, triângulo e repique: Paulinho He-Man

      Pandeiro, block e repique: Lan Lan

      Trompetes: Bidinho e Formiga

      Sax tenor: Macaé

      Sax alto: Paulo Senise

      Trombone: Vitor

      Vocais: Jussara Silveira, Betina, Jussara Lourenço, Bebel, Jurema, Carla, Marcelo Szabo, Marcio Lott, Chico Puppo, Ronaldo Barcelos, Zeppa Souza, Ronaldo Correa, Pedro Baldanza, Jorge Alexandre e Lourenço

      Pré-produção, teclados e guitarra solo: Estúdio Caverna (técnico: Roberto Lly)

    • Paisagem da Janela (Lô Borges / Fernando Brant) Letra


      Da janela lateral

      Do quarto de dormir

      Vejo uma igreja, um sinal de glória

      Vejo um muro branco e um vôo pássaro

      Vejo uma grade, um velho sinal

       

      Mensageiro natural

      De coisas naturais

      Quando eu falava dessas cores mórbidas

      Quando eu falava desses homens sórdidos

      Quando eu falava desse temporal

      Você não escutou

       

      Você não quer acreditar

      Mas isso é tão normal

      Você não quer acreditar

      Que eu apenas era

       

      Cavaleiro marginal

      Lavado em ribeirão

      Cavaleiro negro que viveu mistérios

      Cavaleiro e senhor de casa e árvores

      Sem querer descanso nem dominical

       

      Cavaleiro marginal

      Banhado em ribeirão

      Conheci as torres e os cemitérios

      Conheci os homens e os seus velórios

      Eu olhava da janela lateral

      Do quarto de dormir


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Guto Graça Mello

      Arranjo e teclados: Marcio Miranda

      Violão solo: Paulo Rafael

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Triângulo: Repolho

      Moringa: Marcos Suzano

      Violões: Paulo Coelho

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Vocais: Jussara Silveira, Marcelo Szabo, Ronaldo Barcelos, Zé Lourenço, Ana Leuzinger e Nina Pancevski

    • Caranguejo Dance (Moraes Moreira) Letra


      É o treme terra

      Tambor de guerra soa declarando paz

      Por toda treva

      Clareia o som, me leva e traz

       

      Por toda a vida, a vida vivida

      Mestre e aprendiz

      É de preceito, baticum no peito

      Coração me diz

       

      É a nova dança, caboclo e lança

      E a novidade me possui

      Danço e me vejo

      Um caranguejo que na pista evolui

       

      Swing e fé que nascem da mulher

      Que de repente parte

      Tão decidida, grávida de vida

      Ergue o estandarte, estandarte

       

      Maracatu e eu

      Maracatu e eu

      Nós nossa voz

      E eles

       

      Por todo o lado

      Baque virado na esteira do tarol

      Por toda a rua, a luz da lua

      A noite, o dia, a luz do sol

       

      Ali ou alhures, homens e mulheres

      Todas as idades

      No carnaval

      Trabalhador rural dançando na cidade

       

      Silenciosos

      Por um momento não tocaram seus tambores

      No pátio escuro

      Ali eu juro, eu vi, senhoras e senhores

       

      E a meninada

      Animadamente celebrando ia

      Não demorava era um que chegava

      E outro que saía, saía


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Guto Graça Mello

      Arranjos: Moraes Moreira e Marcio Miranda

      Teclados: Marcio Miranda

      Violão: Moraes Moreira

      Contrabaixo: Pedro Ivo

      Bateria: Jurim Moreira

      Repique, congas, agogô, surdo e timbales: Repolho

      Agogô e efeitos: Sandro Lustosa

      Guitarra: Paulo Rafael

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Rabeca: Ricardo Amado

      Arranjo de rabeca: Vitor Santos

      Vocais: Jussara Silveira, Marcelo Szabo, Ronaldo Barcelos, Zé Lourenço, Ana Leuzinger e Nina Pancevski

    • O Bom da Vida (Dito / Jorge Zarath) Letra


      No momento em que meus olhos

      Se encontraram com teus olhos

      Eu me apaixonei, eu me apaixonei

      Eu me apaixonei

       

      Na loucura do molejo

      Eu sonhava com teu beijo

      Eu me apaixonei, eu me apaixonei

      Eu me apaixonei

       

      Eu te quero porque sei

      Que a vida é sempre assim

      Eu te quero porque sei

      Você nasceu pra mim

      Não adianta se esconder

      Que a vida é feita pra viver

       

      O bom da vida é viver

      É se querer, se querer

      O bom da vida é sonhar

      Deixa acontecer

       

      O bom da vida é viver

      É se querer, se querer

      O bom da vida é sonhar

      Deixa o sol nascer

       

      De dia é de dia

      E quando escurece

      Uma luz me guia

      Teu brilho me aquece


      FICHA TÉCNICA:

      Produção, arranjo e teclados: Julinho Teixeira

      Violões: Luiz Brasil e Tony Costa

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Surdo, congas, repique e jambê: Marquinho Lobo

      Surdo, guiro, repique timbal: Paulinho He-man

      Clave, repique e timbal: Lan Lan

      Trompetes: Bidinho e Formiga

      Sax tenor: Macaé

      Sax alto: Paulo Senise

      Trombone: Vitor

      Vocais: Jussara Silveira, Betina, Jussara Lourenço, Bebel, Jurema, Marcelo Szabo, Marcio Lott, Chico Puppo, Ronaldo Barcelos, Zeppa Souza, Ronaldo Correa, Pedro Baldanza, Jorge Alexandre e Lourenço

      Pré-produção, teclados e guitarra solo: Estúdio Caverna (técnico: Roberto Lly)

    • Eu Quero é Botar meu Bloco na Rua (versão Ska/Pop) (Sergio Sampaio) Participação especial: Jheremmias Não Bate Corner Letra


      Há quem diga

      Que eu dormi de touca

      Que eu perdi a boca

      Que eu fugi da briga

      Que eu caí do galho

      E que não vi saída

      Que eu morri de medo

      Quando o pau quebrou

       

      Há quem diga

      Que eu não sei de nada

      Que eu não sou de nada

      E não peço desculpas

      Que eu não tenho culpa

      Mas que eu dei bobeira

      E que Durango Kid quase me pegou

       

      Eu quero é botar meu bloco na rua

      Brincar, botar pra gemer

      Eu quero é botar meu bloco na rua

      Gingar pra dar e vender

       

      Eu, eu por mim queria isso e aquilo

      Um quilo mais daquilo

      Um grilo menos nisso

      É disso que eu preciso

      Não é nada disso

      Eu quero todo mundo nesse carnaval


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Netinho

      Arranjo e programação sample: Zé Raimundo e Jomar Freitas

      Guitarra, base e voz: Tuca Fernandes

      Arranjo de metais: Zé Raimundo e Letieres Leite

      Bateria: Robinson Cunha

      Baixo: Gigi

      Guitarras: Boca

      Teclados: Zé Raimundo

      Metais: Letieres Leite e Guiga Scott

    • Nascido em 22 de Abril (Altay Veloso) Letra


      Que homem é esse que tem sete vidas

      Que gato, que tentação

      Que os gladiadores invejam o folego

      E a força do seu pulmão

      Que mulato é esse de lábios carnudos

      Com os olhos de cor anil

      Que homem é esse nascido em 22 de abril

       

      Bate tambor que nem Angola

      Sua sabor de Coca-cola

      Frequenta a sala da escola de samba

      Devoto de Aparecida

      Trabalhador, gosta da lida

      O seu defeito é que ele nunca se zanga

       

      Eu amo esse homem porque sei

      Que ele tem virtudes que outros não tem

      Eu sei que precisa de muito amor e carinho

      Pra se dar bem

       

      Que pena que alguns desses filhos

      Descambam na vida e seu nome traem

      Que pena que alguns desses filhos

      Não puxaram ao pai

       

      Que homem é esse

      Que é tão bem dotado de raça, de pedigree

      Que mulheres muito invejosas

      Fazem tudo para tirá-lo de mim

       

      Mas sei que ele é forte e resiste

      Assim como tem resistido a dor

      Se tiver certeza da força do meu amor


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Guto Graça Mello

      Arranjo: Nando Minardi

      Teclados: Marcio Miranda

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Violão: Luiz Brasil

      Sax soprano: Milton Guedes

      Surdo, culca e pandeiro: Marcos Suzano

      Bongô, ganzá e repique de mão: Repolho

      Arranjo e regência de cordas: Salinas

      Violinos: Giancarlo Pareschi (spalla), José Alves da Silva, Bernardo Bessler, Marri Cristina Bessler, Ricardo Amado da Silva, Antonela Lima Pareschi, Walter Hack, Marcelo Pompeu, Carmelita Reis, Aizik M. Geller e José Dias

      Coorden e violino: Paschoal Perrota

      Violas: Frederick Stephany, Arlindo Figueiredo Penteado, Jeslina Noronha Passaroto e Jairo Diniz Silva

      Cellos: Alceu de Almeida Reis e Jorge Kundert Ranevsky

      Vocais: Jussara Silveira, Marcelo Szabo, Ronaldo Barcelos, Ana Leuzinger e Nina Pancevski

    • Incendia, Incendiê (Francisco Gileno / Cláudio Rabello) Letra


      Fogo de palha queima, queima e se apaga

      Fogo de amor incendeia e se espalha

      Quem é do fogo que incendeia em fevereiro

      Sabe que em janeiro fogo já incêndio

       

      Incendiá, incendiê

      Incêndiô

      Incendiá, incendiê

      Meu amor

       

      Que não tem fogo de amor não se espalha

      Quem muito tem consegue a cinza suportar

      Ai meu amor, me aquece e me agasalha

      Quem não ama, se estraçalha

      Deixa eu me incendiá

       

      Nos teus cabelos cor de ouro do reinado

      Na tua boca perfumada de alecrim

      Eu acendi a brasa que tava apagada

      E galopei incendiada em teu leito de cetim

       

      Fogo de palha dura apenas um momento

      Fogo de amor, ah, isso nunca chega ao fim

      Fogo por fogo, acabei num fogo cruzado

      Galopando no cerrado com você dentro de mim


      FICHA TÉCNICA:

      Produção, arranjo e teclados: Julinho Teixeira

      Guitarra: Luiz Brasil

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Zabumba: Marquinho Lobo

      Triângulo e contas: Paulinho He-man

      Caxixi e efeitos: Lan Lan

      Trompetes: Bidinho e Formiga

      Sax tenor: Macaé

      Sax alto: Paulo Senise

      Trombone: Vitor

      Vocais: Jussara Silveira, Betina, Jussara Lourenço, Bebel, Jurema, Marcelo Szabo, Marcio Lott, Chico Puppo, Ronaldo Barcelos e Zeppa Souza

      Pré-produção, teclados e guitarra solo: Estúdio Caverna (técnico: Roberto Lly)

    • Água Fria (La gota fria) (Emiliano Zuleta / Versão: Claudio Rabello) Letra


      Cê se lembra, moreninho, aquele dia

      Que caímo na folia

      Que saímo atrás da banda?

      Sonhando levar a vida

      Girando feito ciranda

      Sonhando levar a vida

      Girando feito ciranda

       

      Me arrepio quando penso

      Nos amores que já tive

      Me arrepio quando penso

      Nos amores que já tive

       

      Você foi o melhor moreno

      Me fez sentir quanto era livre

      Você foi o melhor moreno

      Me fez sentir quanto era livre

       

      Vê se me leva onde eu nunca vou

      Aonde hoje tenha baile

      Vê se me leva onde eu nunca vou

      Aonde hoje tenha baile

       

      Moreninho vê se me leva

      Por onde o meu sonho anda

      Moreninho vê se me leva

      Por onde o meu sonho anda

       

      Que aventura, que aventura vou viver

      Uma noite dessas quando só por vadiagem

      Provar o amor de quem dê

      Amor por qualquer bobagem

      Provar o amor de quem dê

      Amor por qualquer bobagem

       

      Moreninho não te engano

      Nem digo isso pra ofender

      Moreninho não te engano

      Nem digo isso pra ofender

       

      Eu nasci com essa chama

      De sempre querer prazer

      Que eu nasci com essa chama

      De sempre querer prazer

       

      Moreninho, moreninho

      Se você me quiser, me quiser

      Vem cá me pegar

      Mas se na hora de amar

      Cair um balde de água fria

      Mas se na hora de amar

      Cair um balde de água fria

       

      Desculpe, mas não era o dia

      De ter minha companhia

      Desculpe, mas não era o dia

      De ter minha companhia


      FICHA TÉCNICA:

      Produção, arranjo, teclados e acordeom solo: Julinho Teixeira

      Violões: Luiz Brasil e Tony Costa

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Bongô: Marquinho Lobo

      Congas e timbales: Paulinho He-man

      Caxixi: Lan Lan

      Vocais: Jussara Silveira, Betina, Jussara Lourenço, Bebel, Jurema de Cândia, Marcelo Szabo, Marcio Lott, Chico Puppo, Ronaldo Barcelos, Zeppa Souza, Ronaldo Correa, Pedro Baldanza, Jorge Alexandre e Lourenço

    • A Massa (Raimundo Sodré / Jorge Portugal) Letra


      A dor da gente

      É dor de menino acanhado

      Menino, bezerro, pisado

      No curral do mundo a penar

       

      Que salta aos olhos

      Igual a um gemido calado

      A sombra do mal-assombrado

      É a dor de nem poder chorar

       

      Moinho de homens

      Que nem jerimuns amassados

      Mansos, meninos, domados

      Massa de medos iguais

       

      Amassando a massa

      A mão que amassa a comida

      Esculpe, modela e castiga

      A massa dos homens normais

       

      Quando eu lembro da massa da mandioca mãe

      A massa

      Quando eu lembro da massa da mandioca, mãe

      A massa

       

      Nunca mais me fizeram aquela presença, mãe

      A massa

      É a massa que planta a mandioca, mãe

      A massa

      A massa que eu falo é a que passa fome, mãe

      A massa

      Essa massa que planta é a mandioca, mãe

      A massa

       

      Lelé, meu amor, lelé

      Lelé, meu amor, lelé

      No cabo da minha enxada não conheço coroné

      No cabo da minha enxada não conheço coroné

       

      Eu quero mas não quero (camará)

      Mulher minha na função (camará)

      Cê tá livre de um abraço (camará)

      Mas não tá de um beliscão (camará)

      Torna a repetir meu amor (ai, ai, ai)

      Eu torno a repetir meu amor

       

      O guarda civil não quer a roupa no quarador

      O guarda civil não quer a roupa no quarador

      Meu Deus, onde vai parar

      Parar essa massa?

      Meu Deus, onde vai parar

      Parar essa massa?


      FICHA TÉCNICA:

      Produção, arranjo e teclados: Julinho Teixeira

      Violão: Luiz Brasil

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Zabumba, surdo, caxixi e zambê: Marquinho Lobo

      Block e timbal: Paulinho He-man

      Triângulo e timbal: Lan Lan

      Trompetes: Bidinho e Formiga

      Sax tenor: Macaé

      Sax alto: Paulo Senise

      Trombone: Vitor

      Vocais: Jussara Silveira, Betina, Jussara Lourenço, Bebel, Jurema, Marcelo Szabo, Marcio Lott, Chico Puppo, Ronaldo Barcelos, Zeppa Souza, Ronaldo Correa, Pedro Baldanza, Jorge Alexandre e Lourenço

      Pré-produção, teclados e guitarra solo: Estúdio Caverna (técnico: Roberto Lly)

    • Tudo Passa (Antônio Barros / Cecéu) Letra


      Pra me dar dor de cabeça

      Bastam as preocupações

      Por favor, meu bem, me esqueça

      Não ligue as emoções

      Que eu vou fazer o possível

      Pra ver se também lhe esqueço

      Viver assim é horrível

      Há quanto tempo eu padeço

       

      Ai, que dói, dói

      Mas a dor passa

      Ai, que rói, rói

      Mas para de roer

      Ai, que dói, dói

      Mas eu vou achar graça

      Porque tudo passa

      E eu vou lhe esquecer

       

      Vou cair de cabeça no maior forró

      Levantar pó até o amanhecer

      Eu vou beber o nosso amor de graça

      Porque tudo passa e eu vou lhe esquecer


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Guto Graça Mello

      Arranjo de base e acordeom: Oswaldinho do Acordeom

      Zabumba e agogô: Arecessoni de Almeida

      Triângulo, pandeiro e reco reco: José Durval

      Guitarra: Luiz Brasil

      Contrabaixo: Jacaré

      Vocais: Jussara Silveira, Marcelo Szabo Ronaldo Barcelos, Zé Lourenço, Ana Leuzinger e Nina Pancevski

    • Que Baque é Esse? (Lenine) Letra


      Nega que baque é esse?

      Chegou pra me baquear

      Nega tu não se avexe

      Seu corpo remexe

      Sem se perguntar por quê

       

      Nega que baque é esse?

      Ninguém pode me ajudar

      Só mesmo com você

      Quero ver o baque da vida virar

      Só mesmo com você

      Quero ver o baque da vida virar

       

      E o verão chegou

      O sol já saiu pra tirar teu mofo

      E o maracatu passou

      Já com o bombo batendo fofo

      Só quem vai atrás

      É capaz de entender toda essa magia

      A nega dançando

      E a negada babando na fantasia

      A nega dançando

      E a negada babando na fantasia

       

      De onde vem esse toque

      Que contagia o mundo

      E leva todo mundo a reboque?

      Eu não sei como é

      Que essa nega danada da pá virada

      Ainda tá de pé

       

      O maracatu é da Coroa Imperial

      É de Pernambuco

      Ele é da Casa Real


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Guto Graça Mello

      Arranjo de base: Marcio Miranda e Guto Graça Mello

      Teclados: Marcio Miranda

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Surdo, repique e agogô: Marcos Suzano

      Batá, xequerê e repique: Repolho

      Guitarra: Paulo Rafael

      Vocais: Jussara Silveira, Zé Lourenço, Marcelo Szabo, Ronaldo Barcelos, Ana Leuzinger e Nina Pancevski

    • Acaba Quando Começa (Gerônimo / Saul Barbosa) Letra


      A beira da sua anágua

      Na poça d’água molhou

      Ao chover de madrugada

      Foi o dia que chegou

       

      Na sola do seu sapato

      Mina água, nasce flor

      É o canto do desejo

      É um jeito de amor

       

      De maré, de vagar

      Se eu sou um voyager

      O que eu sinto por você

      Só você sabe o que é

      Não precisa mais falar

      Quando a história começa

      É quando ela acaba


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Guto Graça Mello

      Arranjo de base e teclados: Marcio Miranda

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Congas: Repolho

      Triângulo, ganzá e serrote: Marcos Suzano

      Flauta solo: Milton Guedes

      Acordeom: Oswaldinho

      Violão: Luiz Brasil

      Guitarra: Paulo Coelho

      Arranjo e regência de cordas: Salinas

      Violinos: Giancarlo Pareschi (spalla), José Alves da Silva, Bernardo Bessler, Marri Cristina Bessler, Ricardo Amado da Silva, Antonela Lima Pareschi, Walter Hack, Marcelo Pompeu, Carmelita Reis, Aizik M. Geller e José Dias

      Coorden e violino: Paschoal Perrota

      Violas: Frederick Stephany, Arlindo Figueiredo Penteado, Jeslina Noronha Passaroto e Jairo Diniz Silva

      Cellos: Alceu de Almeida Reis e Jorge Kundert Ranevsky

      Vocais: Jussara Silveira, Marcelo Szabo, Ronaldo Barcelos, Ana Leuzinger e Nina Pancevski

    • Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua (Versão Forró/Frevo) (Sergio Sampaio) Letra


      Há quem diga

      Que eu dormi de touca

      Que eu perdi a boca

      Que eu fugi da briga

      Que eu caí do galho

      E que não vi saída

      Que eu morri de medo

      Quando o pau quebrou

       

      Há quem diga

      Que eu não sei de nada

      Que eu não sou de nada

      E não peço desculpas

      Que eu não tenho culpa

      Mas que eu dei bobeira

      E que Durango Kid quase me pegou

       

      Eu quero é botar meu bloco na rua

      Brincar, botar pra gemer

      Eu quero é botar meu bloco na rua

      Gingar pra dar e vender

       

      Eu por mim queria isso e aquilo

      Um quilo mais daquilo

      Um grilo menos nisso

      É disso que eu preciso

      Não é nada disso

      Eu quero é todo mundo nesse carnaval


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Netinho

      Técnicos de gravação: Mario Jorge Bruno, Ronaldo Ferrone e Luiz Rodrigues

      Auxiliares: Alex, Elcio e Billy

      Guitarra: Victor Biglione e Julinho Brown

      Sax: Milton Guedes e Dulciano Pereira

      Trombone: Vitor Santos

      Trompetes: Bidinho e Formiga

      Contrabaixo: Fernando Nunes

      Bateria: Cesinha

      Surdo: Gordinho

      Percussão: Marquinho Lobo, Firmino e Reginaldo Vargas

      Tamborins: Wanderley Moura, Ney Pedro, Vivaldo e Nelson Damas

    • Contradições (Dominguinhos / Fausto Nilo) Letra


      Meu caso de amor

      É um espinho feroz

      Quando bate é uma flor

      Seu carinho dói

       

      Seu gosto é de mel

      Com venenos amargos demais

      Sua boca, modernas palavras

      Seus lábios, promessas de tempos atrás

       

      De tanto querer

      Me perdi nessas contradições

      Pus na mão desse Deus

      Minhas emoções

       

      Todo homem se crê

      Quando entra em uma mulher

      Mas esquece que a dor e o prazer

      Vem quando ela quer

       

      O que ele me deu

      Ninguém pode roubar

      Mas da próxima vez

      Vou me apaixonar


      FICHA TÉCNICA:

      Produção: Guto Graça Mello

      Arranjo de base e acordeom: Dominguinhos

      Arranjo e regência de cordas: Salinas

      Violinos: Giancarlo Pareschi (spalla), José Alves da Silva, Bernardo Bessler, Marri Cristina Bessler, Ricardo Amado da Silva, Antonela Lima Pareschi, Walter Hack, Marcelo Pompeu, Carmelita Reis, Aizik M. Geller e José Dias

      Coorden e violino: Paschoal Perrota

      Violas: Frederick Stephany, Arlindo Figueiredo Penteado, Jeslina Noronha Passaroto e Jairo Diniz Silva

      Cellos: Alceu de Almeida Reis e Jorge Kundert Ranevsky

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Há uma espécie de alegria nas estradas, nos desertos, nas trovoadas. Há uma espécie de desafio na flor branca do mandacaru, e de atrevimento no mato-pasto que cobre a caatinga com as primeiras chuvas. Há uma espécie de alegria na pedra.

Há uma espécie de tristeza nos chocalhos que se ouve no sertão. Que a gente ouve mas não sabe de onde vem; e que finca o sertão na gente. Eu ouvi isso em Metéora, na Grécia, e não sabia se vinha de mim ou das montanhas. É uma espécie de suspiro, de pontuação do planeta.

Esses chocalhos definem uma paisagem. Paisagem que vem pelo ouvido. Que passa da terra pra gente pelo som. É assim a carreira de Elba: de terra e sons.

Sons que, do fundo da dureza e da força de horizontes que nunca se acabam - horizontes que só na as imensidões do Nordeste tem - fazem como que pontos. Um ponto aqui. Um eco acolá. Como cancelas. Cancelas que cortam cercas, abrem caminhos, e espalham paisagem por todo canto. E espalham paisagem em cantos que possam contê-la e suportá-la.

Paisagem menos de coisa e feitio; paisagem que se sabe a som e cor: amarelos, encarnados, azuis.

É assim o disco de Elba: de amarelos, de encarnados, de azuis.

E paisagem é coisa efêmera, palavra de feminino. Feminino e singular, como o disco de Elba.

No meio da paisagem de som que se sabe trovoada, alguns versos são como estandartes, os estandartes de que eu tanto gosto:

 

"A dor da gente é dor de menino acanhado"

 

"... no cabo da minha enxada não conheço coroné"

 

"A beira da sua anágua/ na poça d'água molhou/ ao chover de madrugada/ foi o dia que chegou/ Na sola do seu sapato/ mina água, nasce flor"

 

No meio da paisagem a gente vê se metamorfosearem palavras estrangeiras em coisas do sertão e coisas do sertão virarem mundo. Elba canta o sertão com sentido de mundo. E cada vez melhor.

Quando Elba me pediu para escrever o release de seu novo disco, só Goethe pôde me livrar da aflição que me invadiu por ter que dizer o que ela canta. Ele tem uma definição da arte que revela o movimento típico e definidor dos nordestinos que tiram alegria e música do árido chão de nossa existência:

 

"A arte não é poder, é consolo".

 

Elba é assim.

 

Moacyr Góes

abril/95

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