Cordas, Gonzaga e Afins

2015

Cordas, Gonzaga e Afins
    • Pau de Arara / Algodão (Luiz Gonzaga / Guio de Moraes) Letra


      Quando eu vim do sertão, seu moço
      Do meu Bodocó
      A maleta era o saco
      E o cadeado era o nó
      Só trazia a coragem e a cara
      Viajando num pau de arara
      Eu penei, mas aqui cheguei
      Eu penei, mas aqui cheguei


      Trouxe o triângulo
      Trouxe o gonguê no matulão
      Trouxe o zabumba dentro do matulão
      Xote, maracatu e baião
      Tudo isso eu trouxe no meu matulão

       

      Algodão
      (Luiz Gonzaga / Zé Dantas)

       

      Bate a enxada no chão
      Limpa o pé de algodão
      Pois pra vencer a batalha
      É preciso ser forte, robusto
      Valente ou nascer no sertão

       

      Tem que suar muito
      Pra ganhar o pão
      E a coisa lá
      Né brinquedo não

       

      Mas quando chega o tempo rico da colheita
      Trabalhador vendo a fortuna se deleita
      Chama a família e sai
      Pelo roçado vai
      Cantando alegre ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai
      Chama a família e sai
      Pelo roçado vai
      Cantando alegre ai, ai, ai, ai, ai, ai, ai

       

      Sertanejo do norte
      Vamos plantar algodão
      Ouro branco que faz nosso povo feliz
      Que tanto enriquece o país
      Um produto do nosso sertão


    • Não Sonho Mais (Chico Buarque) Letra


      Hoje eu sonhei contigo
      Tanta desdita
      Amor nem te digo
      Tanto castigo
      Que eu tava aflita de te contar

       

      Foi um sonho medonho
      Desses que às vezes a gente sonha
      E baba na fronha
      E se urina toda
      E quer sufocar

       

      Meu amor vi chegando
      Um trem de candango
      Formando um bando
      Mas que era um bando
      De orangotango pra te pegar

       

      Vinha nego humilhado
      Vinha morto-vivo
      Vinha flagelado de tudo que é lado
      Vinha um bom motivo pra te esfolar

       

      Quanto mais tu corria, mais tu ficava
      Mais atolava, mais te sujava
      Amor, tu fedia
      Empesteava o ar

       

      Tu que foi tão valente
      Chorou pra gente
      Pediu piedade, olha que maldade
      Me deu vontade de gargalhar

       

      Ao pé da ribanceira acabou-se a liça
      Escarrei-te inteira a tua carniça
      E tinha justiça nesse escarrar

       

      Te rasgamo a carcaça
      Descemo a ripa
      Viramo as tripa
      Comemo os ovo
      Ai, aquele povo pôs-se a cantar

       

      Foi um sonho medonho
      Desses que às vezes a gente sonha
      E baba na fronha e se urina toda
      E já não tem paz

       

      Pois eu sonhei contigo e caí da cama
      Ai, amor, não briga
      Ai, não me castiga
      Ai, diz que me ama
      E eu não sonho mais


    • Súplica Cearense (Gordurinha / Nelinho) Letra


      Texto: “Aboio Mudo”

      (Newton Moreno)

       

      A madrugada escorre em silêncio
      Tropeça em soluços escritos
      A distância cavalga no peito
      Como um mudo tentando um grito

       

      Relógio molha os olhos do tempo
      Uma tempestade cairá em segundos
      No corpo abre-se uma fenda
      Que vai até o outro lado do mundo
      E não te alcança

       

      Súplica Cearense
      (Gordurinha / Nelinho)

       

      Ó Deus
      Perdoe este pobre coitado
      Que de joelhos rezou um bocado
      Pedindo pra chuva cair sem parar

       

      Ó Deus
      Será que o senhor se zangou
      E só por isso o sol se arretirou
      Fazendo cair toda a chuva que há

       

      Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
      Pedi pra chover, mas chover de mansinho
      Pra ver se nascia uma planta no chão

       

      Ó Deus
      Se eu não rezei direito o Senhor me perdoe
      Mas eu acho que a culpa foi
      Desse pobre que nem sabe fazer oração

       

      Meu Deus
      Perdoe eu encher os meus olhos de água
      E ter-lhe pedido cheinho de mágoa
      Pro sol inclemente se arretirar

       

      Desculpe eu pedir a toda hora pra chegar o inverno
      Desculpe eu pedir para acabar com o inferno
      Que sempre queimou o meu Ceará


    • Assum Branco / Assum Preto (José Miguel Wisnik) Letra


      Quando ouvi o teu cantar
      Me lembrei nem sei do quê
      Me senti tão só
      Tão feliz, tão só
      Só e junto de você

       

      Pois o só do meu sofrer
      Bateu asas e voou
      Para um lugar
      Onde o teu cantar
      Foi levando e me levou

       

      E onde a graça de viver
      Como a chuva no sertão
      Fez que onde for
      Lá se encontre a flor
      Que só há no coração

       

      Que só há no bem-querer
      E na negra escuridão
      Assum preto foi
      Asa branca dói
      Muito além da solidão

       

      Assum Preto
      (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)

       

      Tudo em vorta é só beleza
      Céu de abril e a mata em flor
      Mas Assum Preto, cego dos óio
      Num vendo a luz, ai, canta de dor
      Mas Assum Preto, cego dos óio
      Num vendo a luz, ai, canta de dor


    • O Ciúme (Caetano Veloso) Letra


      Dorme o sol à flor do Chico, meio-dia
      Tudo esbarra embriagado de seu lume
      Dorme ponte, Pernambuco, Rio, Bahia
      Só vigia um ponto negro: o meu ciúme

       

      O ciúme lançou sua flecha preta
      E se viu ferido justo na garganta
      Quem nem alegre, nem triste, nem poeta
      Entre Petrolina e Juazeiro canta

       

      Velho Chico, vens de Minas
      De onde o oculto do mistério se escondeu
      Sei que o levas todo em ti, não me ensinas
      E eu sou só, eu só, eu só, só eu

       

      Juazeiro, nem te lembras dessa tarde
      Petrolina, nem chegaste a perceber
      Mas, na voz que canta tudo ainda arde
      Tudo é perda, tudo quer buscar, cadê

       

      Tanta gente canta, tanta gente cala
      Tantas almas esticadas no curtume
      Sobre toda estrada, sobre toda sala
      Paira, monstruosa, a sombra do ciúme


    • Béradêro / Ave Maria Sertaneja (Chico César) Letra


      Os olhos tristes da fita
      Rodando no gravador
      Uma moça cozendo roupa
      Com a Linha do Equador
      E a voz da santa dizendo
      “O que é que eu tô fazendo cá em cima desse andor?”
      E a voz da santa dizendo
      “O que é que eu tô fazendo cá em cima desse andor?”

       

      Ave Maria Sertaneja
      (Júlio Ricardo / O. de Oliveira)

       

      Quando batem as seis horas
      De joelhos sobre o chão
      O sertanejo reza a sua oração

       

      Ave Maria
      Mãe de Deus, Jesus
      Nos dê força e coragem
      Pra carregar a nossa cruz

       

      Nesta hora bendita e santa
      Viemos suplicar
      Pra Virgem Imaculada
      Os enfermos vir curar

       

      Texto: “Ave Maria”
      (Newton Moreno)

       

      Em voo rasante pelos tetos humanos
      Pássaro-mãe com pegadas no ar
      Canto sempre a ninar nas noites mancas
      Nos dias em bruma és um colo de plumas
      Asas como berço, colar que é terço
      Nos seios do luar
      O grito mais bárbaro, a dor mais crua
      Não passam longe de tua cura, do seu cuidar
      Mãe-passarinha, ave materna
      Bênção eterna que desce do céu por sobre minha alma
      Perdoa minha falta, minha impaciência
      Estou dentro da casca como um filhote nu
      Coração afoito, boca sedenta pelo teu leite
      Que é mel sagrado, que é seiva benta
      Rompe essa porta, quero olhar teus olhos
      Quero agarrar tuas asas para planar pela estrada
      Que me devolve à viagem, que me devolve a casa
      Tua morada

       

      Ave Maria
      (Bach / Gounod)

       

      Benedicta tu in mulieribus
      Et benedictus
      Et benedictus fructos ventri
      Ventri tui Jesus
      Ave Maria


    • Adeus, Iracema (Luiz Gonzaga / Zé Dantas) Letra


      Navega
      Ó, jangada, nesse mar
      Enfeitado de coqueiros
      E coberto de luar

       

      Navega
      No Nordeste pela praia
      Quero ver Itapoã
      Quero ver minha Atalaia

       

      Boa viagem
      Gogó da Ema
      Areia preta
      Pontal, Tambaú
      Adeus, Iracema, adeus


    • Ciranda Praieira (Lenine / Paulo César Pinheiro) Letra


      De toda terra em que anda
      O mar só dança ciranda
      Na ilha de Itamaracá

       

      E quando o mar cirandeia
      Eu cirandeio na areia
      Eu cirandeio no mar

       

      Achei na praia um marisco
      Com a letra do nome dela
      Do lado eu fiz um rabisco
      Botando a minha chancela

       

      Tirei da palhoça uma palha
      Fiz um cordão de palmeira
      Fiz do marisco a medalha
      Pro colo da cirandeira

       

      Entrei na roda da sorte
      Brinquei de roda com ela
      A moça é de casa forte
      Eu sou de casa amarela

       

      Mas foi na casa de Lia
      Numa ciranda praieira
      Que eu vi minha estrela-guia
      Nos olhos da cirandeira


    • Gravitacional (Marcelo Jeneci)
      Participação especial: Marcelo Jeneci
      Letra


      A saudade tá batendo muito forte
      Nem parece que eu te vi antes de ontem
      Você foi e me deixou o mundo inteiro
      Mas agora o meu mundo é um cinzeiro

       

      Que gira em torno de um sistema solar
      Tal qual a terra com o sol e o luar
      Assim sou eu com essa mão no meu isqueiro
      Com a outra no cinzeiro eu faço o mundo flutuar

       

      Com o meu pulmão respiro o ar celestial
      Com pés no chão me sinto gravitacional
      Na solidão procuro minha outra metade
      Que apesar da gravidade pode ouvir o meu sinal

       

      Pois o universo é como um homem abandonado
      Estrelas cadentes são e-mails e recados
      Que vão correndo para dizer a quem já foi
      Que a liberdade é boa e pode ser vivida a dois
      Que a liberdade é boa e pode ser vivida a dois
      Que a liberdade é boa e pode ser vivida a dois


    • A Violeira (Tom Jobim / Chico Buarque) Letra


      Desde menina
      Caprichosa e nordestina
      Que eu sabia
      A minha sina era no Rio vir morar
      Em Araripe topei com o chofer dum jipe
      Que descia pra Sergipe
      Pro serviço militar

       

      Esse maluco me largou em Pernambuco
      Quando um cara de trabuco
      Me pediu pra namorar
      Mais adiante
      Num estado interessante
      Um caixeiro viajante me levou pra Macapá

       

      Uma cigana revelou que a minha sorte
      Era ficar naquele Norte
      E eu não queria acreditar
      Juntei os trapos com um velho marinheiro
      Viajei no seu cargueiro
      Que encalhou no Ceará

       

      Voltei pro Crato e fui fazer artesanato
      De barro bom e barato
      Pra mó de economizar
      Eu era um broto e também fiz muito garoto
      Um mais bem feito que o outro
      Eles só faltam falar

       

      Juntei a prole e me atirei no São Francisco
      Enfrentei raio, corisco
      Correnteza e coisa má
      Inda arrumei com um artista em Pirapora
      Mais um filho e vim-me embora
      Cá no Rio vim parar

       

      Ver Ipanema foi que nem beber jurema
      Que cenário de cinema
      Que poema à beira-mar
      E não tem tira, nem doutor, nem ziguizira
      Quero ver quem é que tira
      Nós aqui desse lugar
      E não tem tira, nem doutor, nem ziguizira
      Quero ver quem é que tira
      Nós aqui desse lugar

       

      Será verdade que eu cheguei nessa cidade
      Pra primeira autoridade
      Resolver me escorraçar
      Com a tralha inteira remontar a Mantiqueira
      Até chegar na corredeira
      O São Francisco me levar

       

      Me distrair nos braços de um barqueiro sonso
      Despencar na Paulo Afonso
      No oceano me afogar
      Perder os filhos em Fernando de Noronha
      E voltar morta de vergonha
      Pro sertão de Quixadá

       

      Tem cabimento
      Depois de tanto tormento
      Me casar com algum sargento
      E todo sonho desmanchar
      Não tem carranca
      Nem trator, nem alavanca
      Eu quero ver quem é que arranca
      Nós aqui desse lugar
      Não tem carranca
      Nem trator, nem alavanca
      Quero ver quem é que arranca
      Nós aqui desse lugar


    • Braia Dengosa (Luiz Gonzaga / Zé Dantas)
      Participação especial: Naná Vasconcelos
      Letra


      O maracatu dança negra
      E o fado tão português
      No Brasil se juntaram
      Não sei que ano, que mês

       

      Só sei é que foi Pernambuco
      Quem fez essa braia dengosa
      Quem nos deu o baião
      Que é dança faceira e gostosa

       

      Português com o fado e guitarra
      Cantava o amor
      E o negro ao som do batuque
      Chorava de dor
      Com melê, com gonguê
      Com zabumba e cantando nagô, oi

       

      Foi a melodia de branco
      E o batucado em zulu
      Que nos o baião
      Que nasceu do fado e do maracatu


    • Sanfona Sentida (Dominguinhos / Anastácia) Letra


      Vem amor, vem cantar
      Pois meus olhos
      Ficam querendo chorar
      Deixe as mágoas pra depois
      O amor é mais importante a dois

       

      Chora sanfona sentida
      Em meu peito gemendo
      Vai machucando
      E o meu peito de amor vai morrendo

       

      Quanto mais choro
      Me entrego todinho ao amor
      O teu gemido disfarça
      Em minh’alma essa dor


    • Sete Meninas (Dominguinhos / Toinho Alves) Letra


      Sábado de noite eu vou
      Vou pra casa do Zé
      Sábado de noite eu vou
      Dançar o coco e arrastar o pé

       

      A beleza de Maria
      Ela só tem pra dar
      O corpinho que ela tem
      Seu andar requebradinho
      Mexe com a gente
      E ela nem, nem
      E ela nem, nem
      E ela nem, nem
      E ela nem, nem

       

      Ela vai dançar um coco
      E eu vou me arrumar
      Na umbigada eu já ganhei seis
      Agora vou inteirar

       

      São sete meninas
      São sete fulô
      São sete umbigada certeira que eu dou
      São sete meninas
      São sete fulô
      São sete umbigada certeira que eu dou


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