Coração Brasileiro

1983

Coração Brasileiro
    • Banho de Cheiro (Carlos Fernando) Letra


      - Alceu veio! Venha cá, meu irmão!

      - Tô tomando uma cervejinha aqui...

      - Diz, e como é que se faz com o frevo?

      - Eu sei lá, tô tomando cerveja! Mas olha, é um banho de cheiro por cima!

      - É mesmo?

      - Mas é claro!

      - Então vamos lá!

      - Brasil! Meu sistema solar!

      -Eita!

      - Simbora, rapaziada!

       

      Eu quero um banho de cheiro

      Eu quero um banho de lua

      Eu quero navegar

      Eu quero uma menina

      Que me ensine noite e dia

      O valor do bê-a-bá

       

      O bê-a-bá dos teus olhos

      Morena bonita da Boca do Rio

      O bê-a-bá das narinas do rei

      O bê-a-bá da Bahia

      Sangrando alegria, magia, magia

      Nos Filhos de Gandhi

       

      O bê-a-bá dos baianos

      Que charme bonito, foi o santo que deu

      O bê-a-bá do Senhor do Bonfim

      O bê-a-bá do sertão

      Sem chover, sem colher

      Sem comer, sem lazer

      O bê-a-bá do Brasil


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e teclados: Lincoln Olivetti

      Bateria: Robertinho Silva

      Baixo: Fernando

      Guitarra: Robson Jorge

      Acordeom: Severo

      Pandeiro: Ariovaldo

      Percussão: Paulo Humberto

      Triângulo: Cidinho

       

      Metais

      Trumpete: Bidinho, Márcio Montarroyos, Paulinho

      Trombone: Serginho

      Sax alto: Oberdan

      Sax tenor: Zé Carlos

      Sax barítono: Leo Gandelman

       

      Bandinha

      Arranjo da bandinha: Agostinho Silva

      Sax: Dulcilando Ferreira

      Trombone: Edmundo Maciel

      Sax alto: Jaime

      Trombone baixo: Jesse

      Flautim: Lenir

      Trumpete: Nilton

      Tuba: Zenio

      Vocal: Flavio, Alceu Valença, Claudia Gomes, Claudia Cesar, Braulio, Gilda Valentim, Carlão, Patrícia Gadelha, Owsaldo Lenine, Jaime Alem, Luna, Flávio de Souza Faria, Mariza, Marcio Magalhães, Regininha

    • Toque De Fole (Bastinho Calixto / Ana Paula) Letra


      Toque, sanfoneiro

      Um forró bem animado

      Com cadência de xaxado

      Da poeira levantar

       

      Toque, sanfoneiro

      Que as mulheres tão visando

      O fole frouxo tocando

      Castigando a nota lá

       

      Toque, sanfoneiro

      Mostre que é véio macho

      Capriche nos oito baixos

      Até o dia clarear

       

      Toque, sanfoneiro, toque

      Porque a gente quer se esbaldar

      Toque, sanfoneiro, toque

      Porque a gente quer dançar

       

      Dedo no couro é pandeirada

      Mão no zabumba é zabumbada

      E no triângulo é trianglada, oi

      Dedo no fole é forrozada


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e piano Yamaha: Luiz Avelar

      Bateria: Paulinho Braga

      Baixo: Jamil

      Guitarra: Ricardo Silveira

      Percussão: Cidinho

      Ritmo: Jorge, Elizeu

      Pandeiro: Bira

      Acordeom: Severo, Sivuca, José Américo

    • Ave Cigana (Zé Américo Bastos / Salgado Maranhão) Letra


      Ave de sertão, eu sei que sou

      A terra me acompanha aonde vou

      Dolente no meu jeito de cantar

      E de viver seguindo

      Ave de arribação

      Asa de beija-flor

       

      Meu coração assim cigano

      É feito esse verão em teu olhar

      Por onde passa o dia e passa a noite

      Passa a canção

      Passa um solar

      Tanto luar sem fim

       

      Pontas de recordações

      Já cantei o sol no cimento da cidade

      Já vivi tão só o lamento da saudade

       

      Mas minha canção é retirante

      É feito vagalume pelo ar

      Brilhando em toda parte, em cada olhar

      Em qualquer sertão, em qualquer coração

      Brilhando em toda parte, em cada olhar

      Em qualquer sertão, em qualquer coração


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e teclados: César Camargo Mariano

      Baixo: Jamil

      Violão: Hélio Delmiro

    • Se eu Fosse o Teu Patrão (Chico Buarque) Participação Especial: Chico Buarque (Música da peça “Ópera do Malandro”) Letra


      ELES

      Eu te adivinhava

      E te cobiçava

      E te arrematava em leilão

      Te ferrava a boca, morena

      Se eu fosse o teu patrão

       

      Ai, eu te cuidava

      Como uma escrava

      Ai, eu não te dava perdão

      Te rasgava a roupa, morena

      Se eu fosse o teu patrão

       

      Eu te encarcerava

      Te acorrentava

      Te atava ao pé do fogão

      Não te dava sopa, morena

      Se eu fosse o teu patrão

       

      Eu te encurralava

      Te dominava

      Te violava no chão

      Te deixava rota, morena

      Se eu fosse o teu patrão

       

      Quando tu quebrava

      E tu desmontava

      E tu não prestava mais, não

      Eu comprava outra, morena

      Se eu fosse o teu patrão

       

      ELAS

      Pois eu te pagava direito

      Soldo de cidadão

      Punha uma medalha em teu peito

      Se eu fosse o teu patrão

       

      O tempo passava sereno

      E sem reclamação

      Tu nem reparava, moreno

      Na tua maldição

       

      E tu só pegava veneno

      Beijando a minha mão

      Ódio te brotava, moreno

      Ódio do teu irmão

       

      Teu filho pegava gangrena

      Raiva, peste e sezão

      Cólera na tua morena

      E tu não chiava, não

       

      Eu te dava café pequeno

      E manteiga no pão

      Depois te afagava, moreno

      Como se afaga um cão

       

      Eu sempre te dava esperança

      Dum futuro bão

      Tu me idolatrava, criança

      Seu eu fosse o teu patrão

       

      Mas se tu cuspisse no prato

      Onde comeu feijão

      Eu fechava o teu sindicato

      Se eu fosse o teu patrão


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, regência e piano Yamaha: Francis Hime

      Bateria: Serginho

      Baixo: Jamil Joanes

      Violão: Hélio Delmiro

      Percussão: Jorge, Bira

      Tumbas: Cidinho

      Xequerê: Frank Colon

      Cordas: Perrota’s Sound

      Flauta: Celso

      Trombone: Edmundo Maciel, Sérgio Fernandes

      Trumpete: Bidinho, Donald Harris, Nilton Rodrigues, Paulo Roberto,

      Trumpete solo: Hamilton

    • Chororô (Gilberto Gil) Participação Especial: A Cor do Som Letra


      Tenho pena de quem chora

      De quem chora tenho dó

      Quando o choro de quem chora

      Não é choro, é chororô

       

      Quando uma pessoa chora seu choro baixinho

      De lágrima a correr pelo cantinho do olhar

      Não se pode duvidar

      A razão daquela dor

      Não se pode (deve) atrapalhar

      Sentindo seja o que for

       

      Mas quando a pessoa chora o choro em desatino

      Batendo pino como quem vai se arrebentar

      Aí penso que é melhor

      Ajudar aquela dor

      A encontrar o seu lugar

      No meio do chororô

       

      Chororô, chororô, chororô

      É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar

      Chororô, chororô, chororô

      É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar

       

      Chororô, chororô, chororô

      É muita água, é magoa, é jeito bobo de chorar

      Chororô, chororô, chororô

      É mágoa, é muita água, a gente pode se acabar


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e regência: Mú Carvalho, Dadi e Victor Biglione

      Baixo: Dadi

      Bateria: Gustavo Schroeter

      Guitarra: Victor Biglione

      Percussão: Ary Dias

      Teclados: Mú Carvalho

    • Roendo Unha (Luiz Ramalho / Luiz Gonzaga) Letra


      Quando vin-vin cantou

      Corri pra ver você

      Atrás da serra, o sol tava pra se esconder

      Quando você partiu

      Eu não esqueço mais

      Meu coração, amor, partiu atrás

       

      Vivo com os olhos na ladeira

      Quando vejo uma poeira

      Penso logo que é você

       

      Vivo de orelha levantada

      Para o lado da estrada

      Que atravessa o muçambê

       

      Olha que eu já tô roendo unha

      A saudade é testemunha

      Do que agora vou dizer

       

      Quando na janela eu me debruço

      O meu cantar é um soluço

      A galopar no massapê


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e sanfona: Severo

      Baixo: Santana

      Bateria: Elber Bedaque

      Guitarra: Paulo Rafael

      Percussão: Firmino

      Sax soprano: Marcelo Neves

    • Batida de Trem (Vicente Barreto / Carlos Pitta) Letra


      Cantando esse baião

      Aperriado com a sorte

      Felicidade não vem

      É uma cantiga de cego

      É uma sanfona tocando

      Parece batida de trem

       

      Sou cantador da alegria

      Me chamam de Andorinha

      Nas festas lá do sertão

      Estrela da primavera

      Pra onde for vou com ela

      Pra esquecer da solidão

       

      Se entrar nesse forró

      Vem, meu amor

      Do seu nego tenha dó

      Vem, meu amor

      Ponha a mão no coração

      Vem, meu amor

      Que é pra depois não ficar só

      Vem, meu amor


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e teclados: Luiz Avelar

      Bateria: Paulinho Braga

      Baixo: Jamil

      Guitarra: Ricardo Silveira

      Tumbadora: Cidinho

      Ritmo: Elizeu, Jorge

      Pandeiro: Bira

      Acordeón: Severo

      Trumpete: Donald Harris, Alcebíades Spinola, Nilton Rodrigues, Paulo Roberto

      Sax: José Carlos

      Trombone: Sérgio

    • Canção da Despedida (Geraldo Azevedo / Geraldo Vandré) Letra


      Já vou embora

      Mas sei que vou voltar

      Amor, não chora

      Se eu volto é pra ficar

       

      Amor, não chora

      Que a hora é de deixar

      O amor de agora

      Pra sempre ele ficar

       

      Eu quis ficar aqui, mas não podia

      O meu caminho a ti não conduzia

      Um rei mal coroado não queria

      O amor em seu reinado

      Pois sabia, não ia ser amado

       

      Amor não chora, eu volto um dia

      O rei velho e cansado já morria

      Perdido em seu reinado, sem Maria

      Quando eu me despedia

      E no meu canto lhe dizia


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, regência e teclados: César Camargo Mariano

      Guitarra: Ricardo Silveira

      Baixo: Pedrão

      Bateria: Picolé

      Percussão: Frank Colon

      Vocal: Pedrão, Mariza, Sonia Burnier, Ilka Burnier, Gastão Lamounier

    • A Volta dos Trovões (Bráulio Tavares / Fúba) Participação Especial: Céu da Boca e Roupa Nova Letra


      Um tambor amedrontou a mata

      Quando o dia clareou

      Na clareira respondeu a flauta

      Um aviso de terror

       

      Um cacique descobriu pegadas

      De um estranho caçador

      Uma tribo foi exterminada

      Onde o rio avermelhou

       

      Antes das chuvas

      Quando o trovão tombou das estrelas

      E a selva escura

      Viu brilhar nas mãos de um deus

      Armas de estrondo e luz

      Viu brilhar nas mãos de um deus

      Armas de estrondo e luz

      Como avisou a lenda

      Armas de estrondo e luz

       

      Onça negra caminhou nas cinzas

      Da fogueira que passou

      Gavião voando contra a brisa

      Viu a mancha do trator

       

      Sobre o chão onde os pajés dançavam

      Uma vila se formou

      Todo dia longe ressoava

      O machado lenhador

       

      Dentro da selva

      Pulsam os corações dos guerreiros

      Esperando a noite

      Em que os astros vão trazer

      A volta dos trovões

      Em que os astros vão trazer

      A volta dos trovões

      Como promete a lenda

      A volta dos trovões


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, regência e teclados: César Camargo Mariano

      Atabaques: Frank Colon, Jorge, Franklin

      Surdo: Bira

      Vocal: Céu da Boca (Verônica Sabino, Rosa Lobo, Dalmo Medeiros, Chico Adnet, Ronald Valle, Paula Morelembaun, Maúcha Adnet, Márcia Ruiz, Paulo Malaguti e Paulo Roberto Brandão) e Roupa Nova (Cleberson Horst, Ricardo Feghali, Kiko, Nando da Silva, Serginho de Lima e Paulinho dos Santos)

    • Ai que Saudade d’ocê (Vital Farias) Direto Letra


      Não se admire se um dia

      Um beija-flor invadir

      A porta da tua casa

      Te der um beijo e partir

      Fui eu que mandei o beijo

      Que é pra matar meu desejo

      Faz tempo que eu não te vejo

      Ai que saudade d'ocê

       

      Se um dia você lembrar

      Escreva uma carta pra mim

      Bote logo no correio

      Com frases dizendo assim:

      “Faz tempo que eu não te vejo

      Quero matar meu desejo

      Te mando um monte de beijo,

      Ai, que saudade sem fim”

       

      E se quiser recordar

      Aquele nosso namoro

      Quando eu ia viajar

      Você caía no choro

      Eu chorando pela estrada

      Mas o que eu posso fazer?

      Trabalhar é minha sina

      Eu gosto mesmo é d'ocê


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo, regência, piano e piano Yamaha: José Américo

      Baixo: Antonio Santana

      Bateria: Elber Bedaque

      Ritmo: Geraldo Gomes, João Gomes, José Silva Gomes

      Ovation: José Paulo

      Percussão: Cidinho

      Cordas: Perrota’s Sound

      Gaita: Maurício Einhorn

    • Vida e Carnaval (Moraes Moreira / Aroldo Macedo) Participação Especial: Robertinho de Recife (guitarra solo) Letra


      Mandei fazer a minha fantasia

      Alegoria de papel crepom

      Que é pra você durante esses três dias

      Me curtir todinha

      E ao romper do som

      Aprender na escola que é a rua

      Ver a verdade nua

      E não sair do tom

       

      Pagar pra ver qual é

      A barra de ser o que é

      Ser pra você igual

      Na vida e no carnaval

       

      Meu nego, tirei a máscara

      Que até agora escondeu

      Meu sentimento a mais rara

      Das joias que Deus me deu

       

      Não nego, tirei a máscara

      Que até agora escondeu

      Meu sentimento a mais rara

      Das joias que Deus me deu


      FICHA TÉCNICA:

      Arranjo e teclados: Lincoln Olivetti

      Participação especial na guitarra solo: Robertinho de Recife

      Bateria: Mario

      Baixo: Fernando

      Guitarra base e teclados: Robson Jorge

      Percussão: Ariovaldo, Altamiro, Edson, Paulo Humberto

      Trumpete: Bidinho, José Pinto, Paulo Roberto

      Sax: José Carlos

      Sax barítono: Leo Gandelman

      Sax alto: Oberdan

      Trombone: Serginho

    • Coração Brasileiro (Celso Adolfo) Letra


      No meu coração brasileiro

      Plantei um terreiro, colhi um caminho

      Armei a arapuca, fui pra tocaia

      Fui guerrear


      FICHA TÉCNICA:

      Voz: Elba Ramalho

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No meu coração brasileiro

Plantei um terreiro

Colhi um caminho

Armei a arapuca

Fui pra tocaia

Fui guerrear

 

O compositor desta música é o mineiro Celso Adolfo, e foi ouvindo-a na voz de Milton Nascimento que me inspirei para este trabalho. Coração alegria brasileiro, assim poderia se chamar este disco ou energia brasileira, ou mesmo coração, um acervo de emoções e sentimentos, um punhado de estórias, de surpresas, de coisas pra dizer, atrás da poesia e da música. O disco assim fluiu, espontâneo, mas preciso. Acho que é um disco romântico, sem maiores comprometimentos sociais, sociológicos ou políticos na sua mensagem, porém, por si só não deixa de denunciar ou reverenciar a tudo. O jeito do artista se exprimir em sua caminhada espiritual.

A produção foi uma vitória; insisti pra que fosse o Mazzola, pela sua capacidade e talento. E deu certo. Procuramos manter o “espírito regional” que caracteriza o meu trabalho, porém deixamos de lado o regionalismo de ter que ser “zabumba, sanfona e triângulo” e usamos tudo a que tínhamos direito, desde o regional de Jackson do Pandeiro (Duda, Cícero e Zé Gomes) até o ritmo mais daqui pro mundo – Paulinho Braga, Picolé, Elber Bedaque, Robertinho Silva, Pedrão, Hélio Delmiro, Frank Colon, Jamil Joanes, Paulinho Rafael, Bira, Céu da Boca, Roupa Nova, a Banda Rojão, o maestro Sivuca, forrozeando com Severo e Zé Américo; Lincoln Olivetti (com sua banda) realizou dois belíssimos arranjos, sintetizando e metalizando nos frevos de Pernambuco Banho de cheiro e da Bahia Vida e carnaval, um único espírito rítmico cuja ordem é fazer brilhar o som, fazer dançar o carnaval, esta festa do povo do Brasil.

Zé Américo arranjou a música Ai que saudade d’ocê, esse baião daqui, de amor e do menestrel paraibano Vital Farias. Luiz Avelar mexeu no ritmo, misturou os temperos e saiu o Toque de fole e Batida de trem, que podem tocar nos forrós de lá e pode se dançar nos “discos” daqui. Severo deu o toque “pé-de-serra”, “molho de gafieira” na música de Gonzaga e Luiz Ramalho, Roendo unha. A Cor do Som coloriu Chororô e eu ousei regravar, não com a singularidade de Gil, mas obedecendo a uma velha paixão minha por esta música.

A presença de Chico Buarque neste disco muito me honra. Convidei-o pra cantar e ele topou. Assim regravamos Se eu fosse o teu patrão, da Ópera do Malandro. Francis Hime também veio nessa e fundiu baião com salsa, com samba, com rock, etc... Porém, o que considero mais importante neste disco é a presença do maestro César Camargo Mariano, com sua arte de tocar a alma. Assim ficou Ave cigana, de Zé Américo e Salgado Maranhão, e Canção da despedida, de Geraldo Azevedo e Geraldo Vandré, composta em 1968 e censurada por todos estes anos. Com a presença do Céu da Boca, do Roupa Nova, percussões, e o piano de César, com mil efeitos de sons, fizemos A volta dos trovões. Os compositores desta são pouco conhecidos – Bráulio e Fuba, mas já estiveram antes nos meus discos e confirmaram o talento de grandes novos compositores da MPB. A volta dos trovões fala sobre uma história ou lenda ou fato real de como exterminavam aldeias indígenas inteiras, usando açúcar de atrativo e bombas de traição.

Esse canto é, pois, um pouco da história do Brasil e que está dentro de cada coração brasileiro.

 

Elba Ramalho

junho de 1983


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